sexta-feira, 6 de agosto de 2010

As Eleições para o Parlamento


No período em que se aproximava as eleições para o parlamento dos nobres. Candidatos de vários províncias e reinos entraram na disputa, a fim de conseguirem uma vaga. No reino de Ventão, muitos pleitearam um lugar ao sol. Os eleitos iriam defender os interesses do seu reino diante do grande Rei que governava os reinos daquela região.
O Venta Grande, apoiaria as escuras, e em segredo o seu preferido. Isso por que, o escolhido seria eleito pelo povo através de voto secreto, como se realmente fosse uma “democracia”. Se o povo descobrissem quem o Rei apoiasse, de maneira alguma votariam no candidato apoiado por ele.
O Monarca continuava como o pior da história. E assim, os pretensos candidatos ao parlamento, mantinham-se o mais distante possível do impopular Rei. A campanha para uma vaga no parlamento ganhou as ruas. Aqueles que tinham as melhores condições financeiras, saíram na frente da preferência popular; alugaram as melhores carruagens barulhentas para proclamar seus nomes nas ruas do reino.
Nobres e Plebeus foram recrutados para irem de casa em casa anunciar o bom nome daquele que os contratou. Mas, para serem referendados pelo supremo Magistrado e assim estarem aptos a concorrerem por uma vaga no parlamento, os canditados deveriam apresentar sua ficha, imaculada, limpa e pura. Se por acaso, tivesse suja, eram proibidos de concorrerem à vaga almejada. Por isso, muitos deles foram impedidos de continuar na disputa. Outros agiram a tempo, conseguindo limpar sua ficha podendo então concorrer.
Enquanto isso, nos bastidores das ações palacianas, Ventão protagonizou mais um mico em sua inoperante administração real. Foi quando ele recebeu a agradável notícia de inauguração da reforma das principais ruas e avenidas do reino. Ventão nesse dia para variar acordou cedo, mandou comprar fogos de artifícios, fechou o Palácio Real e levou seus fiéis subordinados para a praça dos religiosos, a fim de esperarem a chegada das grandes máquinas que iriam pavimentar as ruas. O Rei aguardou por horas impaciente a chegada dos veículos e nada. Alguns desistiram de esperar e sorrateiramente saíram de cena.
O Rei para passar o tempo e disfarçar a demora, deu varias voltas ao redor da praça, seguido de perto pelos seus subalternos, principalmente pelos três ministros mais próximos: a Rainha Simarga, Capitão Joãozinho e Lobão Mau, que já não aquentando mais a caminhada indo para lugar nenhum, parou mostrando-se cansado, colocou sua enorme língua para fora.
Depois de muito esperar, um mensageiro trouxe a notícia que aquele não era o dia da inauguração. Ventão não aguentou mais a demora e improvisou um discurso, vendo apenas uma máquina, disse que aquela representava todas as outras que chegaria nos próximos dias.
Alguns dias depois, as obras começaram e o abatido Ventão, viu nessa oportunidade sua redenção.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O Grande Concurso


Diante das festas e comemorações no Reino, o Rei Ventão manteve-se distante devido sua impopularidade. Foi também o ano de eleições para o parlamento em que seriam eleitos políticos da várias províncias, tanto maiores, como menores em poder e autoridade. O Rei, mesmo dividido, deveria decidir-se em apoiar alguns dos pretensos candidatos, e assim o fez.
Quem realmente sorriu naqueles dias, devido o grande sucesso principalmente financeiro de sua festa, foi o Mago da Torre. E, de acordo com os cálculos de sua tesouraria, foi o ano que mais rendeu moedas em ouro para os cofres do Templo na Grande Torre. Porém, o Mago, que se vestia de preto parecendo Batman, era extremamente temperamental e colérico. Irou-se mais uma vez com o Monarca. Foi quando morreu um burro velho na área do Grande Templo da Torre e lá permaneceu por vários dias o corpo do animal entrando em estado de decomposição. O Mago procurou então o Rei:
-- Isso é um absurdo. Será que, além do lixo espalhado pelos quatro cantos do Império, o senhor ainda permite que animais mortos permaneçam e apodreçam nas proximidades no meu Templo? (!), disse o enfurecido Mago.
-- Calma poderoso Mago, com todo respeito, mas se o corpo do bicho está nos domínios de sua propriedade, é de sua inteira responsabilidade cuidar do animal morto, retrucou o Rei.
-- Ah... é? Mas é meu dever avisar aos parentes sobre o falecimento do animal. Por isso, estou lhe comunicando, Alteza, respondeu o Mago, logo em seguida saindo do Palácio Real.
Ainda por aqueles dias, o Venta Grande recebeu o convite para um famoso Concurso de Mentiras, que já era tradição acontecer anualmente. O Rei poderia ir ou mandar um representante. E ficou na dúvida se iria ou mandaria um dos três maiores representantes da área: Lobão Mau, a rainha Simarga e o Capitão Joãozinho.
O concurso consistia basicamente na disputa de quem contasse a maior e mais absurda mentira. Participavam representantes dos reinos de Sul a Norte. No dia do tão esperado concurso, o Monarca surpreendeu e escolheu como representante o mais ensaboado de todos. Aquele que já havia sido Penta Campeão: o vice rei Despedito do Arrocha. Na disputa, o vice foi sorteado como penúltimo participante a contar sua mentira:
-- Bem, eu gostaria de dizer que o Reino onde o meu amigo Ventão reina, é um dos lugares mais limpos e sadios que conhecemos. As nossas ruas e avenidas são as melhores e mais bem pavimentadas. Lá, cuidamos e protegemos o Meio Ambiente como ninguém. Além do mais, temos os melhores representantes que fiscalizam o dinheiro público. Por isso, não temos corrupção em nosso Reino. Antes mesmo que terminasse suas palavras o júri e a multidão que assistia ficaram em pé e aplaudiram dizendo: JÁ GANHOU! JÁ GANHOU! JÁ GANHOU! E, assim, o vice rei ganhou notoriedade e tornou-se Hexa Campeão do tão importante Concurso!!!

domingo, 6 de junho de 2010

As festas do Reino


O Reino do Faz de Conta passou pelo período de festas, inaugurações e comemorações. Ventão o Rei, aproveitou a oportunidade de euforia popular para tentar de alguma forma melhorar sua popularidade que estava abaixo de zero. Mas o povo não se esqueceu facilmente da administração medíocre que ele exercia. Por isso, Ventão não ousava aparecer em eventos públicos, mesmo que fossem em ocasiões de festejos o Monarca era vaiado e repudiado pela grande maioria da população.
O Venta Grande pensava que promovendo a velha tática dos antigos imperadores romanos, oferecendo pão e circo à população, eles esqueceriam das mazelas de sua administração que era a pior de todos os tempos. E mesmo tentando melhorar a condição de sua baixa popularidade o Rei cometia o erro de subestimar a inteligência dos seus súditos e governados. Numa dessas, ele quando teve a oportunidade de escolher o melhor ministro do Império, Ventão mais uma vez surpreendeu, indicando Mundinho Buraqueiro como o melhor ministro do ano. É claro que, praticamente todos os habitantes do reino, entenderam a indicação da realeza como uma piada.
O fato do Rei escolher logo o Ministro Buraqueiro, responsável pelos buracos e crateras que destruíam as carruagens dos moradores, era realmente ridículo. Mas Ventão não parecia se importar em afrontar o povo com tal indicação. Quem realmente indignou-se sentindo-se traído pelo Monarca, foi o ministro Lobão Mau. Não entendendo por que o Rei deixou de escolhê-lo. Logo ele que mais barulho fez prometendo milhões com as suas minas. O Lobo pançudo, de tão indignado protestou e interrompeu seu jejum de quarenta dias passando a comer e beber exageradamente até que o Rei o reconhecesse como melhor ministro de todo o reino. Por sua vez Mundinho Buraqueiro ficou ainda mais vaidoso, achando que era mesmo o melhor, multiplicou consideravelmente os buracos das ruas e avenidas.
Um outro ministro que passou maus bocados foi o Sr. Espingarda, responsável em dirigir a saúde dos habitantes do reino, justamente porque os médicos paralisaram suas atividades e cruzaram os braços protestando pelos salários atrasados. Diante da atitude dos doutores, Espingarda irado e furioso ameaçou disparar se por acaso encontra-se alguns dos grevistas pela frente. Como isso não aconteceu à situação foi resolvida depois que ele demitiu alguns dos dissidentes.
No mês da festa que se celebra o dia do “padroeiro”, o personagem que mais se destacou nesse período foi o Mago da Torre, que como os anjos, era um ser de sexo indefinido, porém muito respeitado pelas suas ingênuas e inocentes alminhas, que acreditavam piamente ser ele enviado pelos “deuses” com uma missão especial.
O Mago vestia-se agindo de forma imponente e prepotente, assemelhando-se a um pavão com vestes adornadas marcadas com símbolos de sua religião. Considerava-se acima do bem e do mal. Os que professassem outro credo, eram tidos como herege e filhos das trevas. O Mago fez da festa do padroeiro uma grande fonte de lucro para os cofres de seu Templo. Acreditava radicalmente ser sua religião a única e absoluta forma de fé sobre a face da terra. Suas alminhas jamais ousavam contestá-lo por medo de serem amaldiçoados e irem pararem no inferno. O Mago, mesmo sendo ainda noviço, sabia muito bem mexer com os pauzinhos para influenciar na política do reino. Aliás, mexer com os “paus – zinhôs” é sua especialidade, como também tem sido, a dos seus colegas de sacerdócio.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O mico da Rainha


Assim passaram os dias no Império do Ventão, e nada, absolutamente nada mudava. O que já era ruim, ficava ainda pior.
Tanto plebeus como nobres se agonizavam diante de tanta incompetência da realeza em administrar o Reino. Os ministros, que deveriam promover e cuidar da melhoria e qualidade de vida da população, eram os que mais contribuíam para causar a desordem e avacalhar o Império. Dentre eles, três se destacavam, pagando mico colaborando para que a popularidade do Rei ficasse abaixo de zero.
Mundinho Buraqueiro, ministro das vias esburacadas, deixava as estradas do Reino completamente intransitáveis, causando prejuízo aos donos das carruagens. Lobão Mau, o pançudo ministro da Destruição do Meio Ambiente, seguia sua trajetória em tornar o Meio Ambiente do Reino completamente inabitável. Mas, o pior mico mesmo, foi protagonizado pela Rainha Simarga, ela que cuidava da Desassistência Social do Império. Tudo aconteceu quando o Rei recebeu ajuda do poderoso
Rei do Continente. O popular Rei Barbudo, que enviou uma oferta em ouro para ser aplicada na construção de aproximadamente 500 moradias para atender os plebeus de baixa renda, que não tinham onde morar. Por falta de habilidade judicial dos doutores reais, os magistrados superiores decidiram interditar as terras que pertenciam ao Reino. Justamente no local onde se construiam as moradias dos plebeus. Simarga, então armou um plano de invasão da área construída. Mas, para não se comprometer, a Rainha criou um Gambá tagarela, que assumiria a responsabilidade da invasão e assim a esposa do Rei ficaria como salvadora da pátria. Na execução do falível plano, o Gambá, a Rainha e o Rei, agiram como planejado e passaram para a opinião pública que o Gambá, como chefe dos plebeus, ocupara as terras de forma organizada e todas as portas das casas, como num passe de mágica, se abriram para ali eles habitarem.
Mesmo concordando com a invasão disfarçada de ocupação, a bela Simarga e seu esposo, atribuíram a responsabilidade do ato, ao Gambá e à sua equipe.
O ingênuo animal, não percebendo que era usado pelo casal real para fins políticos, regozijava-se, achando que era querido pelos donos do Império. Com a ajuda do Gambá, que a Rainha domesticou, formou-se o novo bairro no Reino do Faz de Conta em condições precárias e desordenada, deixando notório que no Reino administrado por Ventão, as coisas acontecem fora da normalidade dos outros reinos. E na maioria das vezes, acontece da pior forma possível.

sábado, 10 de abril de 2010

A Festa do Rei Gago e a demissão dos leiteiros


No período em que se agravou a crise no reino governado pelo Venta Grande, ele reunião seus ministros com a finalidade de resolver a crise que acometia o reino. Durante a reunião Ventão ordenou que eles se manifestassem com idéias que pudessem solucionar os problemas pelo qual passava o Império.
Os seus subordinados não foram capazes de apresentar soluções práticas para resolver principalmente a crise financeira que assolou o reino. Nenhum deles colaborou para amenizar a angustia do Rei. Nem Pé Grande, Espingarda, Capitão Joãozinho, Mundinho Buraqueiro, Rainha Simarga, Lobão Mau ou qualquer outro ministro responderam ao apelo real.
Diante da crise que se instalou desde o Palácio Real até os confins do reino. A popularidade do Venta Grande chegou a ser considerada a pior de todos os tempos. Sabendo disso, o Rei Gago, que até então era detentor do título de pior governante real da história, convidou seus maiores amigos para uma grande festa em sua Fazenda. Autoridades de todas as províncias também foram convidadas para a esperada festa. Logo que chegou o dia, Rei Gago finalmente revelou a todos o verdadeiro objetivo de tanta comemoração:
-Vovovocês sasabem qqq apapartir dddd hohohoje, eeeeeeeu pepeperrdir o titititutulo ddd pipio Reeei da hihihistória. Popopr iiisso, eeeu conconvidedei tototodos papapara vivirem cocomemorar cococomigo.
Os presentes sorriram muito com as palavras do velho Rei Gago e se alegraram durante o dia de festejo.
Enquanto isso, Ventão diante de tantos problemas, já não conseguia fazer a coisa que ele mais gostava; “dormir”. Porém, de tanto pedir aos deuses o Rei finalmente foi atendido e assim teve uma noite tranqüila de sono para então poder sonhar. E no sonho Real o Monarca da Venta Grande viu uma grande Vaca de cor azul e branco, marcada perto do pescoço com as iniciais de duas letras: PR, que simbolizava Partido do Rei. A Vaca vista pelo Rei, no começo era enorme com um numero exagerado de tetas para alimentar seus bezerros. O Rei a contemplou durante muito tempo viu inúmeros bezerros mamando e alimentando-se da grande Vaca.
Porém, a Vaca emagreceu e ficou a beira da morte. O Rei não entendia porque repentinamente a Vaca bela, gorda e sadia ficou magrela,feia e moribunda. Foi ai que, o Monarca percebeu que em uma das tetas que mais espargia o precioso leite da pobre Vaquinha, mamavam tranquilamente disfarçados de bezerros o “Capitão Joãozinho” e alguns doutores. Em conseqüência, os verdadeiros bezerros perderam as tetas e acabaram perecendo diante da desnutrição que tiveram.
O Rei, entendeu aquele sonho como revelação dos deuses e convocou uma grande reunião com todos os servidores da realeza, informando-os que, a partir daquele momento a maioria deles deixariam de ser funcionários do Império e deveriam procurar sobreviver de outra forma. Assim Ventão entendeu a revelação e agiu de acordo a orientação dos deuses.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Apresenta: O Capitão Joãozinho



O Rei Ventão recebeu a péssima notícia que o poderoso Arrudão Mestre foi preso pelos magistrados superiores. Por isso, os políticos do reino ficaram apavorados ao saberem que o galho de arruda estava no xadrez.
As informações que chegavam da terra do Arrudão, não eram nada agradáveis. Ouve um grande temor no coração do Venta Grande, devido o fato do reino deixar de contar com a ajuda financeira que o Arrudão Mestre enviava todos os meses a terra do Rei Ventão. Além do Rei, outro que ficou triste com as noticias foi o senhor Espingarda, que devia o seu cargo de ministro ao Arrudão Mestre.
As notícias ruins não paravam de chegar ao Império governado por Ventão. O Rei havia entrado para descansar após a refeição do meio dia quando um mensageiro furou a segurança do Palácio onde repousava o Rei e interrompeu o descanso real.
-Desculpe interromper o seu sagrado descanso Grande Ventão. E que sou portador de notícias nada agradáveis .
-Espero que tenha bons motivos para interromper o meu descanso, vassalo perturbador.
-Sim meu Rei. E que o Ministro Joãozinho se meteu em encrenca mais uma vez.
-Não acredito. Vá chamá-lo. Quero que ele me explique toda a enrascada que se meteu dessa vez.
Creio não ser possível meu Rei. O ministro da fazenda do Império esta preso.
-Como assim? Como alguém ousa prender um ministro do Rei em minhas terras?
-Ele não foi preso em nossos domínios, foram os soldados do poderoso Reino vizinho, onde reina o Arrudão Mestre.
-Então ta fácil de resolver. Entraremos em contato com o generoso Arrudão para que o escândalo não atinja de vez o Império.
A idéia seria excelente se o senhor não estivesse esquecendo-se de um pequeno e grave detalhe. É que o Rei Arrudão também está preso.
-Nossa como fui esquecer. Mas até agora você não me informou o que Joãozinho aprontou desta vez para ser preso.
-Ele invadiu umas terras, e estava construindo um modesto palácio para abrigar seus parentes. Quando os soldados vieram interromper a construção, ele desacatou os soldados e ai foi detido. Acredito até que o Ministro Joãozinho pode estar com problemas de cabeça.
-O que o fez chegar a essa conclusão?
-Desde que Joãozinho cuida das finanças do reino, ele passa horas e horas contando e recontando as moedas do cofre real. Os servidores e prestadores de serviços da realeza acusam o Ministro de não pagar as contas do Império. E, desde que comprou sua nova carruagem, o poder lhe subiu a cabeça, e exige que lhe chamemos de Capitão Joãozinho, inclusive quando os soldados o prenderam, ele se identificou como Capitão e ainda preso continuva achando que era.
-Não sei mais o que fazer. Retire-se, preciso refletir e pensar o que fazer.
Na sua angústia o Rei não sabia mais o que fazer, para e intensificar de maneira considerável a problemática por que passava o Império, os dez representantes populares rejeitaram o projeto mal elaborado enviado ao parlamento visando atender as reivindações dos servidores em educação. Em conseqüência, os educadores cruzaram os braços e entraram em greve mais uma vez. Enquando isso, a família dos mosquitos cresceu assustadoramente. Depois de picarem o Rei, a vítima dos mosquitos foi o próprio presidente do parlamento, o senhor Volta Aí.

Texto: Fernando Oliveira
Arte: Israel Moreira

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ventão, o Rei dorminhoco



O Reino do Faz de Conta
Apresenta: Ventão, o Rei dorminhoco

A saúde dos habitantes do reino, com exceção de alguns médicos que gostavam de receitar injeções sem necessidade, andava razoavelmente bem. Foi ai que, uma família de mosquitos resolveu mudar-se para o Reino do Faz de Conta. O patriarca da família de mosquito era o senhor Aedes Aegypti casado com a senhora Febre Amarela. Vieram para o império do Rei Ventão tentar a vida, devido o fato de já terem sido expulsos de outros reinos.
A família de mosquitos não conseguia ficar sem aprontar nos lugares que habitavam. O casal nos primeiros dias viveu uma completa lua de mel. Pela manhã o maridão trazia deliciosas frutas tropicais para sua esposa. Não demorou muito, para ela descobrir que estava grávida. O senhor Aedes iria ser pai de muitos mosquitinhos. Para amadurecer os ovos e os filhotes nascerem sadios, a futura mamãe precisava de sangue humano para alimentar-se. Tão logo nasceram os filhotes, Febre Amarela teve depressão pós parto. E começaram as brigas e as discussões entre o casal.

-- Não entendo como veio trazer nossa família para morar num lugar desses. Esse reino aqui é um lixo! Você é um irresponsável Aedes. São ruas esburacadas com poças de água suja. E sabe muito bem que precisamos de água limpa para sobreviver. Os meninos no primeiro dia de aula voltaram, por que os professores estão em greve. Como vamos educar nossas crianças?
-- Calma querida. Será que não percebeu como nossa família cresceu desde que mudamos prá cá. Estamos sobrevivendo muito bem, justamente por que por aqui, as coisas são bagunçadas mesmo. O Rei não liga pra nada. Podemos aprontar todas que as autoridades nem percebem, e quando percebem não estão nem ai. Respondeu o calmo e sereno Aedes.
-- Nisso você tem razão, sabe que ontem fiz uma visitinha ao Palácio Real?
-- É mesmo? Como foi?
-- O Rei dormia, parecia estar ressaqueado. Difícil mesmo foi entrar. Bloqueava a porta do Palácio o ministro do Meio Ambiente Lobão Mau. Sua pança enorme quase esmagou-me, mas fui mais esperta e entrei. Espiei tudo. John Batizador ficou até altas horas da madrugada contando as moedas em ouro do tesouro. O ministro Mundinho Buraqueiro saiu logo que entrei. Fui decidida a dar uma picada no Rei. Sangue real é muito atraente. Mas quase meus planos foram por água abaixo devida um principio de confusão.
-- Como assim? Perguntou o curioso mosquito.
-- O Rei adormeceu por cima de um saco enorme. Um dos motoristas da família real, puxou o saco para o Rei ficar mais a vontade e poder dormir de forma confortável. De repente, surgiu do nada, um senhor moreno e repreendeu o motorista dizendo: “Seu imbecil, você não tem ordem de puxar o saco que pertence ao Rei. Eu sou o único com autorização da realeza que posso puxar o saco real”. Ouve bate boca e troca de tapas. Quando tudo se acalmou, executei minha missão e piquei o Rei.
-- Mas a partir de agora você deve tomar muito cuidado por onde anda minha querida . Ouvi boatos que o Rei contratou uma Espingarda para ser o ministro da saúde. Diante disso, todo cuidado é pouco, esses novos ministros querem mostrar serviço e acabam nos exterminando. - Disse o preocupado marido
E assim a família dos mosquito cresceu e se multiplicou deixando grande parte dos moradores do reino moribundos e febris. O próprio Rei foi vítima das aprontações dos mosquitos.

Texto: Fernando Oliveira Charge: Morais